Aprendendo com João Calvino a entregar o coração a Deus

terça-feira, 9 de agosto de 2016

JOÃO CALVINO

Espiritualidade Calviniana

Nada é mais significativo, quanto à grande mudança que se deu no campo da teologia durante o século passado, do que o lugar agora cedido e a atenção dada ao grande homem de Genebra, que é o assunto desta palestra.
Até há quase vinte anos, dava-se pouca atenção a João Calvino, e quando alguém falava dele era para amontoar insultos sobre ele, com desprezo. Ele era visto como uma pessoa cruel, dominadora e dura. Quanto à sua obra, dizia-se que ele foi o autor do sistema teológico mais opressivo e ferrenho que já se viu. Segundo essa crença, os principais efeitos da obra que ele realizou no campo da religião foram colocar e manter as pessoas num estado de escravidão espiritual e, numa esfera mais ampla, abrir o caminho para o capitalismo. Acreditava-se, pois, que a sua influência foi totalmente nociva e que ele não era de nenhum interesse palpável para o mundo, exceto o fato de ser um espécime, se não um monstro, no museu da teologia e da religião.
Não é essa a situação hoje, porém. De fato, faz-se mais menção dele agora do que em quase um século, e Calvino e o calvinismo são temas de muito argumento e debate nos círculos teológicos. Talvez seja o avivamento teológico ligado ao nome da Karl Barth que explica isto, se a gente vê as coisas externamente. Mas também é preciso explicar Barth e a sua posição. Que foi que o levou de volta a Calvino? A sua própria resposta é que ele não pôde encontrar em nenhum outro lugar uma explicação satisfatória da vida, especialmente dos problemas do século vinte, nem tampouco uma âncora para a sua alma e para a sua fé em meio ao fragor da tormenta. Seja qual for a explicação, o fato é que se formaram sociedades calvinistas neste país, nos Estados Unidos e Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia e na África do Sul, à parte das que se formaram noutros países da Europa antes da guerra. De fato, foi realizado um Congresso Calvinista Internacional em Edimburgo em 1938, e duas conferências similares foram levadas a efeito na América durante a guerra. Também são publicados regularmente periódicos para discussão de tópicos e problemas do ponto de vista do ensino de Calvino; e este ano o livro-texto que está sendo usado nas aulas teológicas do New College, Edimburgo, é a Instituição da Religião Cristã (as “Institutas”), de João Calvino. Muito me agradaria se eu pudesse acrescentar que houve um movimento similar em Gales.
Portanto, o tempo está maduro para olharmos de relance este homem que influenciou a vida do mundo em tão grande medida. Que dizer do homem propriamente dito? Ele nasceu em Noyon, na Picardia, em 1509. Sabemos muito pouco do seu pai e da sua mãe, exceto que a sua mãe era famosa por sua vida piedosa. Desde o princípio Calvino mostrou que tinha capacidades mentais fora do comum. Os seus pais eram católicos romanos, e a sua intenção natural era preparar o seu inteligente filho para uma carreira eminente na igreja. Daí, os seus campos de estudo eram filosofia, teologia, direito e literatura. Embora sobressaísse em todas as áreas, a sua esfera favorita era a literatura, e o vemos em Paris, aos vinte e dois anos de idade, como erudito humanista, sendo a sua maior ambição na vida ter renome como escritor. Era um aluno tão extraordinário que muitas vezes fez preleções aos seus colegas de estudos substituindo os seus professores, e quanto ao seu estilo de vida e à sua conduta, ele era conhecido por sua sobriedade. Na verdade, ele dava ênfase à distinção moral com tanta veemência que recebeu o apelido de “O Caso Acusativo”. Mas, como acontecera com Lutero antes dele, e com João Wesley e muitos outros depois, a moralidade não foi suficiente para mitigar sua alma sedenta. Quando estava com vinte e três anos de idade, experimentou a conversão evangélica, e o curso da sua vida se transformou completamente. Tendo enxergado a verdade, e tendo experimentado o poder desta em sua alma, deu as costas à igreja de Roma e se tornou protestante. Não dispomos de tempo para seguir a história da sua vida, porém sabemos que ele passou quase todo o resto da sua vida em Genebra, como ministro do evangelho. Trabalhou ali desde 1536 até a sua morte, em 1564, com exceção do período de 1538 a 1541, quando as autoridades genebrinas o expulsaram, e ele foi para o “exílio”, em Estrasburgo.
Calvino era magro, de estatura mediana, testa larga e olhos penetrantes. Sua saúde foi muito frágil durante a sua vida toda, porque ele sofria de asma. Era extremamente difícil persuadi-lo a comer e a dormir. Apesar de ter um espírito senhoril, o testemunho dos que o conheceram melhor sugere que nunca houve um homem tão humilde e santo como ele. Seu principal objetivo na vida era glorificar a Deus, e ele se dedicou a isso completamente, sem pena do seu corpo nem dos seus recursos. Ele gostava de pensar em si mesmo como escritor cristão e, se tivesse seguido a sua inclinação pessoal, teria limitado a sua obra unicamente a esse campo; entretanto um amigo o ameaçou com o juízo de Deus, se não se comprometesse a pregar, e o resultado foi que, segundo a principal autoridade sobre a sua vida, ele pregou em média todos os dias e, com frequência, duas vezes num dia, em Genebra, durante vinte e cinco anos. Devido à asma, ele falava lentamente, e não se poderia descrevê-lo como orador eloquente. Tampouco se pode pensar nele como um pregador que só apelasse para a mente e para o intelecto. Uma certa ternura piedosa muitas vezes irrompia nas reuniões, subjugando os presentes.
O mundo lembra-se dele, não tanto como pregador, mas como autor de cinquenta e nove obras volumosas. Ele escreveu trinta comentários dos livros da Bíblia, incluindo-se todo o Novo Testamento, menos a Segunda e a Terceira Epístolas de João e o livro de Apocalipse.
Além disso, Calvino era um constante missivista e, das suas cartas, 4000 foram publicadas. Também teve infindáveis oportunidades, numa época amante de polêmicas, da fazer uso da sua incomparável habilidade como polemista. Ninguém se lhe igualava no uso do “florete”, e quando a isso se acrescenta o seu talento especial para a lógica, vemos nele, possivelmente, o maior “polemista” que o mundo já viu.
Quando recordamos que ele estava perpetuamente envolvido em contendas ou em consultas com as autoridades de Genebra, concernentes às condições morais e sociais da cidade, não nos surpreende que tenha morrido com apenas cinquenta e cinco anos de idade. O mistério é como ele conseguiu realizar tanto em tão pouco tempo. Ninguém sabe onde ele foi sepultado, porém a sua maior contribuição para a literatura teológica, a Instituição da Religião Cristã (as “Institutas”), sobressai como um memorial para ele. Ele escreveu essa obra quando tinha vinte e cinco anos de idade, e a primeira publicação dela foi na Basiléia, em 1536, todavia Calvino continuou trabalhando nela, ampliando-a e reeditando-a durante a sua vida toda.
É sem dúvida a sua obra prima. A verdade é que se pode dizer que nenhum outro livro teve tanta influência sobre o homem e sobre a história da civilização. Não é tampouco exagero dizer que foram as “Institutas” que salvaram a Reforma Protestante, pois elas constituem a summa theologica do protestantismo, e a mais clara declaração de fé que a fé evangélica já teve.
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Texto de David Martyn Lloyd-Jones. Extraído do livro “Discernindo os Tempos”, do. São Paulo: Editora PES, p. 42-44. Originalmente, palestra radiofônica para a BBC, em Gales, em 25 de junho de 1944.
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domingo, 31 de julho de 2016

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO SOBRE JOÃO 3.16


13. “Ninguém subiu ao céu”. Ele novamente exorta Nicodemos a não confiar em si mesmo e em sua própria sagacidade, porque nenhum homem mortal pode, somente por seus próprios poderes, entrar no Céu, mas só quem vai lá sob a direção do Filho de Deus.
Porque “ascender ao Céu” significa aqui “ter um puro conhecimento dos mistérios de Deus, e a luz da compreensão espiritual." Porque Cristo dá aqui a mesma instrução que é dada por Paulo, quando ele declara que o homem natural não entende as coisas que são de Deus (1 Coríntios 02:16;) e, portanto, exclui todas as coisas divinas da perspicácia da compreensão humana, pois ela está muito abaixo de Deus.
Mas temos de atentar às palavras, que apenas Cristo, que é celestial, ascendeu aos Céu e que a entrada está fechada para todos os outros. Pois, na primeira cláusula, Ele nos humilha, quando exclui todo o mundo do Céu. Paulo ordena que aqueles que desejam ser sábios com Deus sejam tolos para eles mesmos (1 Coríntios 3:18)
Não há nada que possamos fazer com mais relutância. Para esse propósito, nós devemos lembrar que todos os nossos sentidos falham e se extraviam quando nos aproximamos de Deus; mas, depois de ter fechado o Céu para nós, Cristo rapidamente propõe um remédio, quando Ele adiciona, que o que foi negado a todos os outros é concedido ao Filho de Deus.
E esta é também a razão pela qual Ele chama a si mesmo de o Filho do homem, para que nós não pudéssemos duvidar de que temos uma entrada para o Céu em comum com aquele que se vestiu com a nossa carne, para que possa nos fazer participantes de todas as bênçãos. Sendo que, portanto, somente Ele é o Conselheiro do Pai (Isaías 9:6), admite-nos dentro daqueles segredos que de outra forma teriam permanecido encobertos.
“Que está nos céus”. Pode-se pensar que é absurdo dizer que Ele está no céu, enquanto Ele ainda habita na terra. Se em resposta for dito que isso é verdade no que diz respeito à sua natureza divina, o modo de expressão significa algo a mais, ou seja, que enquanto Ele era homem, Ele estava no Céu. Pode-se dizer que nenhuma menção é feita aqui sobre qualquer lugar, mas que Cristo somente é distinto dos outros no que diz respeito à sua condição, porque Ele é o herdeiro do reino de Deus, do qual toda a raça humana foi banida.
Mas, como acontece com muita frequência, por conta da unidade da pessoa de Cristo, aquilo que pertence propriamente a uma natureza é aplicada a outra, nós não devemos buscar outra solução. Cristo, portanto, que está no Céu, se vestiu com a nossa carne, que, por esticar a mão fraterna para nós, possa nos elevar ao Céu junto com Ele.

14. “E como Moisés levantou a serpente”. Cristo explica mais claramente porque disse que somente para Ele o céu está aberto, ou seja, que Ele leva ao Céu todos os que estão apenas dispostos a segui-lo como seu guia; pois Ele atesta que será abertamente e publicamente manifestado a todos, para que possam propagar o Seu poder sobre homens de todas as classes. 
Porque ser levantado significa ser colocado em uma situação alta e elevada, de forma a ser exposto à vista de todos. Isso foi feito pela pregação do Evangelho; visto que a explicação que alguns dão, como referindo-se a cruz, não concorda com o contexto, nem é aplicável ao assunto tratado.
O simples sentido das palavras, portanto, é que, pela pregação do Evangelho, Cristo era para ser exaltado, como um estandarte para o qual os olhos de todos seriam dirigidos, como Isaías havia predito (Isaías 2:2. ). Como um tipo dessa exaltação, Ele faz referência a serpente de bronze, que foi erguida por Moisés, cuja visão era um remédio salutar para aqueles que tinham sido feridos pela mordida mortal das serpentes. A história do ocorrido é bem conhecida, e está detalhada em Números 21:9. 
Cristo a introduz nesta passagem, a fim de mostrar que Ele deve ser colocado diante dos olhos de todos, através da doutrina do Evangelho, para que todo aquele que olhar para Ele pela fé possa obter a salvação. Por isso, deve-se inferir que Cristo é claramente exibido a nós no Evangelho, a fim de que nenhum homem possa se queixar de obscuridade; e que esta manifestação é comum a todos, e que a fé tem o seu próprio olhar, pelo qual o percebe como presente, como Paulo nos diz que um vívido retrato de Cristo com Sua cruz é exibida, quando Ele é fielmente pregado (Gálatas 3:01).
A metáfora não é inadequada ou rebuscada. Assim como [a serpente de bronze] tinha somente a aparência exterior de uma serpente, mas não continha nada dentro que fosse pestilento ou venenoso, Cristo se vestiu com a forma da carne pecaminosa, a qual ainda era pura e livre de todo pecado, para que Ele pudesse curar em nós a ferida mortal do pecado. 
Não foi em vão que o Senhor preparou anteriormente este tipo de antídoto, quando os judeus foram feridos pelas serpentes, e ele tende a confirmar o discurso que Cristo entregou. Pois quando viu que era desprezado como uma pessoa média e desconhecida, Ele não poderia produzir nada mais apropriado do que o levantamento da serpente, para dizer que eles não deveriam achar estranho, se, ao contrário da expectativa dos homens , ele fosse levantado ao alto da mais baixa condição, pois isso já tinha estado em sombras na Lei pelo tipo da serpente.
A questão que agora se coloca é: Será que Cristo se comparou com a serpente, porque havia alguma semelhança, ou, Ele pronunciou isto por ter sido um sacramento, como foi o maná? Porque o maná foi o alimento do corpo, na intenção do presente uso, mas Paulo atesta que ele era um mistério espiritual (1 Coríntios 10:3.) Sou levado a pensar que este também foi o caso com a serpente de bronze, tanto por esta passagem, e pelo fato de ser preservada para o futuro, até que a superstição do povo o converteu em um ídolo, (2 Reis 18:04). Se alguém formar uma opinião diferente, eu não debato esse ponto com ele.

16. “Porque Deus amou o mundo”. Cristo abre a primeira causa e, por assim dizer, a fonte da nossa salvação, e faz isso de forma que nenhuma dúvida possa permanecer; pois nossa mente não pode encontrar repouso tranqüilo, até que cheguemos ao amor não merecido de Deus. Como toda questão sobre nossa salvação não deve ser buscada em qualquer outro lugar a não ser em Cristo, então devemos ver de onde Cristo veio até nós, e por que Ele foi oferecido para ser nosso Salvador.
Ambos os pontos são distintamente declarados para nós: a saber, que a fé em Cristo traz vida para todos, e que Cristo trouxe vida, porque o Pai Celestial ama a raça humana, e deseja que eles não venham a perecer. E esta ordem deve ser cuidadosamente observada, pois tal é a ímpia ambição, que pertence à nossa natureza, que, quando a questão diz respeito à origem da nossa salvação, nós rapidamente formamos diabólicas imaginações sobre nossos próprios méritos. Assim, imaginamos que Deus é reconciliado conosco porque Ele tem reconhecido em nós algo que seja digno para que Ele olhe para nós. Mas as Escrituras em todos os lugares exalta sua misericórdia pura e sem mistura, o que anula todos os méritos.
E as palavras de Cristo significam nada mais, quando declara a causa para estar no amor de Deus. Pois, se queremos subir mais alto, o Espírito fecha a porta pela boca de Paulo, quando nos informa que este amor foi fundado no propósito de Sua vontade, (Efésios 1:05). E, de fato, é muito evidente que Cristo falou desta forma a fim de afastar os homens da contemplação de si mesmos para olhar somente para a misericórdia de Deus.
Nem diz que Deus foi movido a nos livrar, porque percebeu em nós algo que fosse digno de uma bênção tão excelente, mas atribui a glória de nosso livramento inteiramente ao Seu amor. E isso é ainda mais claro no que se segue, pois, acrescenta que Deus deu o seu Filho aos homens, para que eles não pereçam. Daí resulta que, até que Cristo conceda a sua ajuda para resgatar os perdidos, todos estão destinados à destruição eterna. Isso também é demonstrado por Paulo a partir de uma consideração do tempo; porque Ele nos amou quando ainda éramos inimigos pelo pecado (Romanos 5:8, 10).
E, de fato, onde reina o pecado, vamos encontrar nada, a não ser a ira de Deus, que arrasta a morte junto com ela. É a misericórdia, portanto, que nos reconcilia com Deus, para que Ele possa também nos devolver à vida.
Essa forma de expressão, no entanto, pode parecer estar em desacordo com muitas passagens das Escrituras, as quais colocam Cristo como o primeiro fundamento do amor de Deus para nós e demonstram que fora Dele somos odiados por Deus. Mas devemos lembrar – como eu já afirmei - que o amor secreto com o qual o Pai Celestial nos ama em si mesmo é superior a todas as outras causas, mas que a graça que Ele deseja que seja conhecida por nós, e pela qual nós somos estimulados para a esperança da salvação, começa com a reconciliação, a qual foi adquirida através de Cristo.
Porque, uma vez que Ele necessariamente odeia o pecado, como vamos acreditar que somos amados por Ele, até que a expiação fosse feita pelos pecados em virtude dos quais Ele, justamente, está ofendido conosco? Assim, o amor de Cristo deve intervir com a finalidade de reconciliar Deus conosco, antes de termos qualquer experiência de sua bondade paternal. Mas, como nós fomos primeiramente informados de que Deus, porque nos amou, deu o seu Filho para morrer por nós, assim isso é imediatamente adicionado, que Cristo é quem, estritamente falando, a fé deve olhar.
“Ele deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça”. Isso, diz ele, é o próprio olhar da fé, para ser fixado sobre Cristo, em quem vê o coração de Deus cheio de amor: este é um apoio firme e duradouro, para invocar a morte de Cristo como a única garantia desse amor. A palavra unigênito é enfático para magnificar o fervor do amor de Deus em relação a nós. Como os homens não são facilmente convencidos de que Deus os ama, a fim de eliminar qualquer dúvida, Ele declarou expressamente que somos muito queridos por Deus que, por nossa causa, Ele nem mesmo poupou seu Filho unigênito.
Uma vez que, portanto, Deus tem mais abundantemente testificado o seu amor para conosco, quem não está satisfeito com este testemunho, e ainda permanece na dúvida, oferece um grande insulto a Cristo, como se Ele tivesse sido um homem comum entregado aleatoriamente à morte. Mas devemos, ao contrário, considerar que, em proporção à estimativa que Deus tem a seu Filho unigênito, tão mais preciosa nossa salvação parecia para Ele, porque para o resgate dos tais Ele escolheu que seu Filho unigênito morresse. Sobre esse nome, Cristo tem o direito, porque Ele é, por natureza, o Filho unigênito de Deus, e comunica essa honra a nós por adoção, quando somos enxertados em Seu corpo.
“Para que todo aquele que nele crê não pereça”. É um elogio notável de fé, que nos livra da destruição eterna. Porque Ele pretendia expressamente declarar que, apesar de nós parecermos ter sido nascidos para a morte, sem dúvida a libertação nos é oferecida pela fé em Cristo; e, portanto, e não devemos temer a morte, que de outra forma paira sobre nós.
E ele empregou o termo universal, “todo aquele que” tanto para convidar todos indiscriminadamente a participar da vida, e para cortar fora todas as desculpas dos incrédulos. Tal é também o sentido do termo “Mundo”, que Ele usou anteriormente, porque nada será encontrado em todo o mundo que seja digno da graça de Deus, mas ainda assim Ele se mostra reconciliado com o mundo inteiro, quando ele convida todos os homens sem exceção a fé em Cristo, que nada mais é do que uma entrada para a vida.
Vamos nos lembrar, por outro lado, que enquanto a vida é prometida universalmente a todos os que crêem em Cristo, ainda a fé não é comum a todos. Porque Cristo é feito conhecido e estendido à vista de todos, mas apenas os eleitos são aqueles cujos olhos Deus abre, para que possam buscá-lo pela fé. Aqui, também, é exibido um efeito maravilhoso da fé, porque nós recebemos Cristo tal como Ele nos é dado pelo Pai - isto é, como tendo nos libertado da condenação da morte eterna, e feito de nós herdeiros da vida eterna, porque, pelo sacrifício de Sua morte, ele expiou por nossos pecados, para que nada pudesse impedir Deus de nos reconhecer como Seus filhos. Uma vez que, portanto, a fé abraça a Cristo, com a eficácia de sua morte e com os frutos de sua ressurreição, não precisamos nos espantar se por ela obtemos igualmente a vida de Cristo.
Entretanto ainda não é muito evidente porque e como a fé concede sobre nós. Isso é porque Cristo nos renova pelo seu Espírito, para que a justiça de Deus possa viver e ser vigorosa em nós, ou isso é porque, tendo sido purificados pelo seu sangue, somos considerados justos diante de Deus por um perdão gratuito? Na verdade, é certo que essas duas coisas estão sempre juntas, mas como a certeza da salvação é o tema agora em mãos, devemos manter principalmente esta razão: que nós vivemos, porque Deus nos ama livremente, não imputando a nós nossos pecados.
Por esta razão, o sacrifício é expressamente mencionado, pelo qual, juntamente com os pecados, a maldição e a morte são destruídos. Eu já expliquei o objetivo dessas duas cláusulas, que é, nos informar que, em Cristo, recuperamos a posse da vida, da qual somos destituídos em nós mesmos, pois nesta condição miserável da humanidade, a redenção, na ordem do tempo, acontece antes da salvação.

17. “Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo”. Essa é uma confirmação da declaração anterior, porque não foi em vão que Deus enviou seu próprio Filho para nós. Ele não veio para destruir e, portanto, segue-se, que é o peculiar oficio do Filho de Deus, que todos que crêem possam obter a salvação por Ele. Agora não há razão para que qualquer homem esteja em um estado de hesitação, ou de ansiedade angustiante sobre a maneira pela qual ele possa escapar da morte, quando nós cremos que era o propósito de Deus que Cristo nos livrasse dela. A palavra “mundo” é repetida mais uma vez, para que nenhum homem possa se pensar totalmente excluído, se ele somente guardar o caminho da fé.
A palavra juiz é colocada aqui para condenar, como em muitas outras passagens. Quando Ele declara que ele não veio para condenar o mundo, Ele assim ressalta o real desígnio da sua vinda, pois que necessidade havia de Cristo vir para nos destruir, se já estávamos completamente arruinados? Não devemos, portanto, olhar para qualquer outra coisa em Cristo, a não ser que Deus de sua bondade infinita escolheu estender sua ajuda para salvar a nós, que estávamos perdidos, e sempre que nossos pecados nos pressionarem - quando Satanás quer nos conduzir ao desespero - devemos erguer este escudo, porque Deus não está disposto a que sejamos esmagados com a destruição eterna, porque Ele designou seu Filho para ser a salvação do mundo.
Quando Cristo diz, em outras passagens, que Ele veio para juízo, (João 9:39;) quando é chamado de pedra de escândalo, (1 Pedro 2:07;) quando é dito ser destinado para a destruição de muitos (Lucas 2:34:) esta pode ser considerada como acidental, ou como decorrente de uma causa diferente; porque aqueles que rejeitam a graça oferecida Nele merecem encontrá-lo como o juiz e vingador de desprezo tão indigno e vil. Um exemplo marcante disto pode ser visto no Evangelho, porque apesar dele ser estritamente o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16), a ingratidão de muito faz com que ele se torne morte para eles .. Ambas as coisas foram bem expressas por Paulo, quando ele se orgulha de ter em mãos a vingança, por que ele punirá todos os adversários de sua doutrina, depois que a obediência do santo tiver sido cumprida, (2 Coríntios 10:6)
O sentido resulta nisso: que o Evangelho é especialmente, e em primeiro lugar, designado para os crentes, para que ele possa ser salvação para eles; mas depois para que os incrédulos não escapem impunes ao desprezarem a graça de Cristo e terem preferido Ele mais como o autor da morte do que da vida.

18. “Quem Nele crê não é condenado”. Quando ele tão frequentemente e tão seriamente repete, que todos os crentes estão além do perigo da morte, nós podemos deduzir da grande necessidade de uma firme e segura confiança, que a consciência não pode ser mantida permanentemente em um estado de tremor e de alarme. Ele novamente declara que, quando nós cremos, não há condenação remanescente, que Ele mais tarde explicará com mais detalhes no quinto capítulo. O tempo presente - não é condenado - é aqui usado em vez do tempo futuro - não será condenado - de acordo com o costume da língua hebraica; porque Ele queria dizer que os crentes estão seguros do temor da condenação.
“Mas quem não crê já está condenado”. Isto significa que não há outro remédio pelo qual qualquer ser humano pode escapar da morte, ou, em outras palavras, que para todos os que rejeitam a vida dada a eles em Cristo, não resta nada a não ser a morte, pois a vida consiste em nada mais do que na fé. O tempo passado do verbo “já está condenado” foi usado por ele enfaticamente, para expressar mais fortemente que todos os incrédulos estão completamente arruinados.
Mas deve ser observado que Cristo fala em especial daqueles cuja maldade será exibido desprezar abertamente o Evangelho. Pois, embora seja verdade que nunca houve qualquer outro meio para escapar da morte, além de recorrer a Cristo, mas como Cristo fala aqui da pregação do Evangelho, que era para ser espalhado por todo o mundo, ele dirige o seu discurso contra aqueles que deliberadamente e maliciosamente extinguem a luz que Deus acendeu.

Fonte: http://www.biblestudyguide.org/comment/calvin/comm_vol34/htm/ix.iii.htm
Tradutor: Emerson Campos Pinheiro.

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Disponível em: http://mortoporamor.blogspot.com.br/2010/09/joao-calvino-1509-1564-comentario-sobre_08.html.
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CARTA DE JOÃO CALVINO A LUTERO

Espiritualidade Calviniana

21 de Janeiro de 1545:
 
Ao mui excelente pastor da Igreja Cristã, Dr. M. Lutero, [1] meu tão respeitado pai. Quando disse que meus compatriotas franceses, [2] que muitos deles foram tirados da obscuridade do Papado para a autêntica fé, nada alteraram da sua pública profissão, [3] e que eles continuam a corromper-se com a sacrílega adoração dos Papistas, como se eles nunca tivessem experimentado o sabor da verdadeira doutrina, fui totalmente incapaz de conter-me de reprovar tão grande preguiça e negligência, no modo que pensei que ela merece. O que de fato está fazendo esta fé que mente sepultando no coração, senão romper com a confissão de fé? Que espécie de religião pode ser esta, que mente submergindo sob semelhante idolatria? Não me comprometo, todavia, de tratar o argumento aqui, pois já o tenho feito de modo mais extenso em dois pequenos tratados, em que, se não te for incomodo olha-los, perceberá o que penso com maior clareza que em ambos, e através da sua leitura encontrará as razões pelas quais tenho me forçado a formar tais opiniões; de fato, muitos de nosso povo, até aqui estavam em profundo sono numa falsa segurança, mas foram despertados, começando a considerar o que eles deveriam fazer. Mas, por isso que é difícil ignorar toda a consideração que eles têm por mim, para expor as suas vidas ao perigo, ou suscitar o desprazer da humanidade para encontrar a ira do mundo, ou abandonando as suas expectativas do lar em sua terra natal, ao entrar numa vida de exílio voluntário, eles são impedidos ou expulsos pelas dificuldades duma residência forçada. Eles têm outros motivos, entretanto, é algo razoável, pelo que se pode perceber que somente buscam encontrar algum tipo de justificativa. Nestas circunstâncias, eles se apegam na incerteza; por isso, eles estão desejosos em ouvir a sua opinião, a qual eles merecem defender com reverência, assim, ela servirá grandemente para confirmar-lhes. Eles têm me requisitado de enviar um mensageiro confiável até você, que pudesse registrar a sua resposta para nós sobre esta questão. Pois, penso que foi de grande conseqüência para eles ter o benefício de sua autoridade, para que não continuem vacilando; e eu mesmo estou convicto desta necessidade, estive relutante de recusar o que eles solicitaram. Agora, entretanto, mui respeitado pai, no Senhor, eu suplico a ti, por Cristo, que você não despreze receber a preocupação para sua causa e minha; primeiro, que você pudesse ler atentamente a epistola escrita em seu nome, e meus pequenos livros, calmamente e nas horas livres, ou que pudesse solicitar a alguém que se ocupasse em ler, e repassasse a substância deles a você. Por último, que você escrevesse e nos enviasse de volta a sua opinião em poucas palavras. De fato, estive indisposto em incomodar você em meio de tantos fardos e vários empreendimentos; mas tal é o seu senso de justiça, que você não poderia supor que eu faria isto a menos que compelido pela necessidade do caso; entretanto, confio que você me perdoará. Quão bom seria se eu pudesse voar até você, pudera eu em poucas horas desfrutar da alegria da sua companhia; pois, preferiria, e isto seria muito melhor, conversar pessoalmente com você não somente nesta questão, mas também sobre outras; mas, vejo que isto não é possível nesta terra, mas espero que em breve venha a ser no reino de Deus. Adeus, mui renomado senhor, mui distinto ministro de Cristo, e meu sempre honrado pai. O Senhor te governe até o fim, pelo seu próprio Espírito, que você possa perseverar continuamente até o fim, para o benefício e bem comum de sua própria Igreja.

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Extraído de Letters of John Calvin: Select from the Bonnet Edition with an introductory biographical sketch (Edinburgh, The Banner of Truth Trust, 1980), pp. 71-73.

[1] - Nota do tradutor: O especial interesse por esta carta, pelo que sabemos, é que ela é a única que Calvino escreveu a Lutero.
[2] - Nota do tradutor: Pelo que parece Calvino se refere aos huguenotes que embora haviam assumido o compromisso com uma confissão de fé reformada, mas na prática ainda preservavam os ídolos, toda a pompa e ritual da missa católica romana. Esta prática evidenciava uma incoerência entre o ato e a convicção de fé.
[3] - Nota do tradutor: Calvino se refere ao culto como uma confissão pública de fé.
 

Tradução livre:
Rev. Ewerton B.Tokashiki
Pastor da Igreja Presbiteriana de Cerejeiras – RO.
Prof. de Teologia Sistemática no SPBC – extensão Ji-Paraná

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

A LITURGIA DE CALVINO


João Calvino condenou a missa do Catolicismo Romano em termos em nada ambíguos." "De todos os ídolos, ele não conhecia nenhum tão grotesco como aquele no qual o sacerdote evocava Cristo em suas mãos pela ‘enunciação mágica’ e oferecia-o novamente no altar do sacrifício, enquanto o povo olhava com ‘admiração estúpida’."2 Calvino formulou suas idéias sobre adoração (liturgia) baseando-as sobre a clara garantia da Escritura e apelando ao costume invariável da igreja primitiva.3 O reformador concluiu: "Não se fazia nenhuma reunião da Igreja, sem a Palavra, as orações, a participação da Ceia e as esmolas."4
Os primeiros esforços de Calvino na reforma da adoração da igreja apareceram na edição de suas Institutas de 1536:
Deixando, pois, de lado todo este sem fim de cerimônias e de pompas, a Santa Ceia bem que podia ser administrada santamente, se com freqüência, ou pelo menos uma vez por semana, se propusesse à Igreja como segue: no início se faria orações públicas; a seguir viria o sermão; então, postos na mesa pão e vinho, o ministro repetiria as palavras da instituição da Ceia; depois, reiteraria as promessas que nos foram nela anexadas; ao mesmo tempo, vedaria à comunhão todos aqueles que são dela barrados pelo interdito do Senhor; após isto, se oraria para que o Senhor, pela benignidade com que nos prodigalizou este alimento sagrado, também nos receba em fé e gratidão de alma, nos instruindo e preparando; e, uma vez que por nós mesmos não somos dignos, por sua misericórdia aprouve nos dignificar para tal repasto.
Aqui, porém, ou se cantariam salmos ou se leria parte da Escritura, e, na ordem que convém, os fiéis participariam do sacrossanto banquete, os ministros partindo o pão e oferecendo-o ao povo. Terminada a Ceia, se faria uma exortação à fé sincera e à sincera confissão dessa fé, ao amor cristão e ao comportamento digno de cristãos. Por fim, se daria ação de graças e se entoariam louvores a Deus; findos os quais, a congregação seria despedida em paz.5
Calvino nunca se desviou dessas ideias, mas somente as expandiu na edição final das Institutas. Observe que Calvino insistia sobre a celebração frequente da ceia do Senhor. Ele queria que a mesma fosse celebrada todo Dia do Senhor [Domingo]. Durante o primeiro pastorado de Calvino em Genebra, ele e Farel propuseram num documento intitulado "Artigos Concernentes à Organização da Igreja e da Adoração em Genebra" que a igreja seria edificada por dois meios especialmente, a celebração freqüente da ceia do Senhor e o exercício da disciplina. Por causa da "debilidade do povo", os Reformadores resolveram realizar a comunhão mensalmente. Mais tarde, em 1541, quando Calvino retornou à Genebra, ele tentou introduzir a liturgia que usou em Estrasburgo. Calvino tentou novamente introduzir uma comunhão semanal, crendo que não "havia nada mais útil para a igreja que a Ceia do Senhor. Deus mesmo, Calvino cria, uniu a ceia com a sua palavra e, portanto, era algo perigoso separá-las." O concílio de Genebra, para desalento de Calvino, insistiu numa celebração trimestral da ceia do Senhor. Calvino continuou a expressar sua insatisfação, declarando mais tarde, em 1561: "Nosso costume é falho."6
Como é evidente a partir de sua declaração nas Institutas de 1536, a liturgia da comunhão de Calvino continha quatro elementos fundamentais. Esses elementos, o leitor Protestante Reformado7 reconhecerá, foram retidos intactos na Forma para a Administração da Ceia do Senhor.8  9 Eles são: repetição da instituição do Senhor como a garantia do sacramento; proclamação das promessas do Senhor que se relacionam com a sua ordenança e suprem significado e realidade aos seus sinais; excomunhão dos pecadores obstinados; e ênfase sobre a participação digna do sacramento e santidade de vida.
Com algumas exceções, somente os Salmos eram cantados, e isso sem acompanhamento instrumental. Concernente aos instrumentos, Calvino cria que "eles faziam parte daquele sistema de treinamento sob a lei, ao qual a Igreja esteve sujeita em sua infância," e, "não deveríamos imitar de maneira tola uma prática que foi planejada apenas para o povo antigo de Deus."10 Aliás, somos gratos que a visão de Calvino sobre esse assunto não tenha prevalecido na tradição Reformada Holandesa.
A ordem da adoração de Calvino começava com o ministro falando as majestosas palavras: "O nosso socorro está em o nome do SENHOR, criador do céu e da terra. Amém". Isso era seguido por uma oração de confissão. Essa era uma breve oração (escrita) lida pelo ministro enquanto a congregação estava de joelhos.11 Após isso, o ministro leria algumas promessas escriturísticas de perdão, e logo após pronunciaria a absolvição,
Que cada um de vocês reconheça-se verdadeiramente um pecador, humilhando-se diante de Deus, e crendo que o Pai celestial deseja ser gracioso para contigo em Jesus Cristo. A todos que dessa forma se arrependem e buscam a Jesus Cristo para sua salvação, declaro a absolvição em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.12
A absolvição não era usada em Genebra. Após a confissão de pecado, a congregação cantava os Dez Mandamentos como um guia para a obediência grata do cristão perdoado.
Durante o cântico, o ministro deixava a mesa e ia para o púlpito. Ali se preparava para a leitura da Escritura e a pregação, oferecendo uma oração por iluminação. Essa e a oração de aplicação após o sermão eram as únicas orações "livres" na liturgia de Calvino. Todas as outras orações eram orações escritas. E, mesmo para essas duas orações livres, Calvino oferecia aos ministros vários modelos. Após a oração de aplicação, o ministro oferecia a oração congregacional. Essa oração era concluída com a oração do Senhor, que em algumas congregações era cantada pela congregação.
Então, a congregação se levantava para cantar o Credo Apostólico. Nesse ponto a congregação era despedida com a bênção de Aarão, baseada em Números 6:24-26: "O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz," e com uma palavra sobre esmolas: "Lembre-se de Jesus Cristo em seus pequeninos."13  14
Em Genebra, nos quatro Domingos quando a ceia do Senhor era celebrada, a mesma ocorria após o sermão. Quando a ceia do Senhor terminava, e antes da bênção ser pronunciada, a congregação cantava o cântico de Simeão: "Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo… porque os meus olhos já viram a tua salvação" (Lucas 2:29-30).15
Os princípios de liturgia de Calvino e a essência de sua ordem de adoração permanecem em uso para os membros das Igrejas Protestantes Reformadas. Existem algumas diferenças nos cultos. Por exemplo, não nos ajoelhamos para orar, não cantamos o Credo Apostólico nem os Dez Mandamentos, não cantamos o cântico de Simeão após a ceia do Senhor, nem temos uma pronúncia de absolvição à congregação; além disso, temos algumas orações formadas, mas não tantas quanto Calvino, e usamos acompanhamento instrumental no cântico dos Salmos. E certamente as Igrejas Protestantes Reformadas, com Calvino, fazem todo esforço para basear a adoração na "clara garantia da Escritura", apelando ao invariável "costume da igreja primitiva."16
Possa Deus nos conceder graça para continuar assim, a fim de adorarmos aquele que é Espírito, "em espírito e em verdade" (João 4:24).

Texto de: Robert Dreck. Disponível em:

NOTAS
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Traduzido por Felipe Sabino de Araújo Neto.
2 Bard Thompson, Liturgies of the Western Church (New York: New American Library, 1961), 185.
3 Em adição ao livro de Thompson e as seções pertinentes das Institutas de Calvino, o leitor que desejar pesquisar mais sobre esse assunto deveria ler Corporate Worship in the Reformed Tradition (Philadelphia: Westminster Press, 1968), de James Hastings Nichols.
4 Calvino, Institutas da Religião Cristã (1536), tradução Waldyr Carvalho Luz.
5 Thompson, Liturgies of the Western Church, 185, 186.
6 Ibid., 190.
7 Nota do tradutor: Membro da Igreja Protestante Reformada (Protestant Reformed Church).
8 Form for the Administration of the Lord’s Supper, The Psalter with Doctrinal Standards, Liturgy, Church Order, and Added Chorale Section, rev. ed. (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1995), 91-96.
9 Nota do tradutor: A Igreja Protestante Reformada (Protestant Reformed Church) utiliza esse documento como diretriz para a administração da Ceia do Senhor.
10 Calvin, Commentary on the Psalms, 266, 312.
11 Nichols, Corporate Worship, 41, 42.
12 Ibid., 43.
13 Ibid., 51.
14 Nota do tradutor: Uma referência a Mateus 25:44-45, onde lemos: "E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer".
15 Ibid.
16 Thompson, Liturgies of the Western Church, 185.


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segunda-feira, 30 de maio de 2016

A CLASSIFICAÇÃO DA ORAÇÃO EM JOÃO CALVINO

Espiritualidade Calviniana

Para Calvino existem duas classes de orações: a invocação (ou súplica) e a ação de graças. Isso porque, segundo ele, “em nossas orações, ou pedimos algo a Deus ou reconhecemos as bênçãos divinas derramadas sobre nós.”1 Ele comenta:
Na súplica colocamos diante de Deus os desejos de nosso coração. Pela ação de graças reconhecemos seus benefícios em nosso favor. E nós temos que usar assiduamente uma e outra, pois nos vemos perseguidos por tão grande pobreza e necessidade que até mesmo os melhores de nós devem suspirar, gemer e invocar continuamente ao Senhor com toda humildade. E por outra parte é tão grande a generosidade que o Senhor, em sua bondade nos dispensa, tão excelsas as maravilhas de suas obras, que sempre encontraremos motivos para louvar-lhe e tributar-lhe ações de graças.2
Calvino simplifica a vida de oração. Aprendemos através dos manuais que existem vários tipos de orações. Pedimos para alguém fazer uma oração de adoração e percebe-se como é difícil. Não que seja difícil adorar a Deus, mas sim mapear e desenvolver essas orações dentro desses tipos.
Quando Calvino apresenta apenas duas classes de orações, ele simplifica e torna o ato da oração espontânea. Na súplica, existe espaço para a confissão, ao derramar do coração, ao clamor de nossa alma e para expor os desejos de nosso coração. Na ação de graças, existe momento para a adoração, ao louvor e ao reconhecimento dos favores de Deus dispensados a nós. Essa simplificação leva em conta que dificilmente na oração haverá espaço ao formalismo. Na oração, o coração, em sua sinceridade, é que é exposto. Um coração ferido fala de suas feridas como, também, é chamado a enxergar as curas recebidas.
O chamado é para usarmos continuamente essas duas classes de oração. Nós gememos diante de Deus, mas esse gemido não pode ocultar o reconhecimento de seus favores. Na verdade, gememos diante daquele que, além de ter realizado tanto por nós, é capaz de continuar a sua boa obra em nós.
A súplica é o momento do esvaziar da alma e da ação de graças pelo preenchimento. Na súplica colocamos diante de Deus todos os nossos anseios e deixamos os nossos fardos. A súplica é também chamada de invocação, pois nessa oração convocamos Deus para agir em nossa vida e circunstâncias. É nosso: “Maranata! Vem, Senhor!” Na ação de graças, colocamos diante de nós aquilo que Deus tem feito por nós. Nela nos enchemos de alegria pelos cuidados de Deus. Na súplica, oramos com o salmista: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades” (Sl. 57.1). Na ação de graças, oramos como o salmista: “São muitas, Senhor, Deus meu, as maravilhas que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar” (Sl. 40.5). No centro dessas orações está a convicção de que: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim” (Sl. 40.17).
Invocamos a Deus. Pedimos que ele se faça presente com sua misericórdia; venha dissipar nossas tribulações; e seja o nosso castelo forte. Enquanto isso, reconhecemos seus favores! O coração com confiança e gratidão é saúde para a alma!

Texto extraído do livro "Desenterrando os tesouros de Deus" do Rev. J. A. Lucas Guimarães.


Referências bibliográficas

CALVINO, 1 Coríntios. 2ª ed. São Paulo: Paracletos, 2003. p. 425.
2 CALVINO apud MARIN, M. Gutiérrez. Calvino, antologiaBarcelona: Producciones Editoriales Del Nordeste, 1971. p. 91.Calvino em seu comentário a Carta de Paulo aos efésios comenta: “Oração e súplica contêm uma leve diferença, sendo que súplica é a espécie e oração, o gênero” (CALVINO, João. Efésios. São José dos Campos/SP: Fiel, 2007. p. 157).
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segunda-feira, 27 de julho de 2015

A VIDA PIEDORA DE JOÃO CALVINO

É sabido de todos que João Calvino teve uma vida curta, porém de muita produção. Ele não conheceu descanso nesta vida: pastor, professor, homem de estado, conselheiro, e escritor. Nos anos triunfais e finais de sua vida, Calvino contabilizou milhares de cartas endereçadas a mais de 300 destinatários diferentes. Prisioneiros, governantes, fiéis, reis e duques. Escreveu até o final de sua vida.
E durante ela, Calvino sofreu várias enfermidades. Sua saúde era frágil. As dores que começaram a se apresentar em 1555. E mesmo em meio às dores de artrite, crises de tuberculose, pleurisia, hemorroidas, gota, febre quartã, enxaqueca, dispepsia, asma, e crises renais agudas, (junte-se a isso uma vida de lutas e controvérsias com adversários tenazes) Calvino persistia em uma extraordinária lucidez de espírito, sendo altamente produtivo e operoso. Cumpria todos os deveres, com a maior pontualidade, no púlpito, na Academia e no Consistório.
É espantoso como muitos mestres acadêmicos seculares, e até mesmo alguns cristãos, em prol da defesa de suas doutrinas, tentam passar a imagem de um Calvino, inquiridor, carrasco, pai do capitalismo, e alguns até mesmo de assassino. Os arminianos sinergistas, por sua vez, concentram seus ataques na doutrina da eleição, o que faz com que muitos associem Calvino a somente esta doutrina.
O Rev. Dr. Hermisten Maia, pesquisador sobre calvinismo, sempre diz que é curioso como Calvino escreveu mais sobre oração do que sobre eleição, mas isso ninguém repara. O Calvino que tem sido atacado em algumas universidades e até em alguns seminários, é um Calvino atacado por ignorantes de sua vida de piedade e diligência.
Certamente desconhecem que todas as suas economias, vindas da venda da biblioteca e do mobiliário foram legadas a seu irmão Antônio Calvino e filhos, fazendo uma pequena doação à caixa dos estudantes pobres e outra aos estrangeiros necessitados. A propósito, comenta Goguel: “Tudo isso prova o desinteresse deste homem que havia sido o árbitro da república de Genebra e de uma parte da Europa ocidental. Sua fortuna não atingia a cifra de 255 escudos!”
Calvino encerra uma carta a Cristofer Piperin assim: “Mas se durante a minha vida não escapei à fama de ser um homem rico, a morte indicará por fim esta imputação lançada ao meu caráter”. Com efeito, o seu testamento provou a sobriedade de sua fortuna e a imputação caluniosa de seus adversários.
Seus ferrenhos acusadores ignoram que Calvino não se deixava absorver pelos bens materiais. Que rejeitou aumento de estipêndio, recusava presentes e vivia com muita sobriedade. Em Estrasburgo, seus proventos não lhe permitiam muitas regalias e teve de admitir pensionistas em casa. O cardeal Sadoleto, em visita a Calvino, ficou espantado ao ver que o “Papa de Genebra” não habitava num palácio episcopal e sim numa modesta habitação e, em vez de um cortejo de servidores, era ele mesmo o porteiro que o saía a receber.
Conta-se do papa Pio IV que, ao ouvir a notícia da morte de Calvino, rendeu-lhe tributo de admiração nestas palavras: “A força deste herege nisto consistia: O dinheiro não tinha para ele a mínima atração. Se tivesse eu servos tais, meus domínios se estenderiam de mar a mar”.
Somente um homem muito piedoso poderia receber um testemunho de sua esposa que se encontrava à beira da morte. Calvino, em 7 de abril de 1549, escreve para Pierre Viret, sobre a morte de sua esposa, Idelette de Bure. Em um trecho dessa carta, se acha o seguinte relato: “...Fui privado da melhor companhia de minha vida, daquela que, se assim lhe fosse ordenado, estaria disposta a partilhar não apenas da minha pobreza, mas até mesmo da minha morte. Enquanto viveu, foi a fiel auxiliadora do meu ministério. Nunca tive nela o menor obstáculo. Durante toda a sua enfermidade, ela jamais foi um fardo para mim, mas estava mais ansiosa a respeito de seus filhos do que de si mesma. Como eu temia que esses cuidados particulares a perturbassem inutilmente, aproveitei a ocasião, no terceiro dia antes de sua morte, para mencionar que não deixaria de cumprir o meu dever para com os seus filhos. Pegando o assunto imediatamente, ela disse: “Já os confiei ao cuidado de Deus”. Quando lhe disse que isso não me impediria de cuidar deles, ela respondeu: “Eu sei que você não negligenciará aquilo que foi entregue ao cuidado de Deus”.
Esse mesmo fato é relatado na carta que Calvino escreve a William Farel, em 11 de abril de 1549: “...declarei na presença dos irmãos, que, doravante, cuidaria deles como se fossem meus. Ela respondeu: “Já os entreguei ao cuidado do Senhor”. Quando respondi que isso não me impediria de cumprir meu dever, ela respondeu imediatamente: “Se o Senhor cuidar deles, sei que serão confiados a você”.
É louvável como mesmo no período mais crítico de padecimento, a mente de Calvino conservava todo o vigor, trabalhando com os seus secretários. Vale a pena “ouvir” o depoimento de Teodoro de Beza, conforme refere Bungener:
“Não obstante isso, não cessou ele de trabalhar. Nessa última enfermidade, traduziu do latim para o francês a Harmonia Sobre Moisés, fez a revisão da tradução de Gênesis, escreveu sobre o livro de Josué, e finalmente, passou em revista e corrigiu a maior parte das anotações francesas sobre o Novo Testamento, que outros haviam anteriormente compendiado. Além disso não se poupou aos interesses da Igreja, respondendo por palavra e por escrito sempre que se fazia necessário; ainda quando de nossa parte o exortávamos a ter mais cuidado de si mesmo. Replicava ordinariamente que nada fazia de mais. Que tolerassem que Deus o achasse sempre vigiando e trabalhando na sua obra conforme ele pudesse, até o último suspiro.”
Somente um homem piedoso, à beira da morte, seria capaz de entoar, muito debilmente, o hino “Despede, Senhor, o teu servo em paz”.
Somente um homem piedoso terminaria sua vida repetindo as palavras do Apóstolo Paulo: “Os sofrimentos da presente vida não podem ser comparados com a glória vindoura”. Gaberel refere que ele não pode acabar a última palavra.
O ano de 1564 marcou o fim de uma vida frutífera. Calvino faleceu no dia 27 de maio, faltando um mês e treze dias para completar 55 anos. Alguns lembram desse ano porque foi o mesmo ano do nascimento de Shakespeare e de Galileu e da morte de Miguel Ângelo.
Teodoro de Beza descreveu assim esse fato: “Desta forma voou para o céu, quando o sol penetrava no ocaso, o grande luminar que era a lâmpada da Igreja. Pela noite e pelo dia seguinte imenso era o pesar e a lamentação na cidade, porquanto a República perdera o seu mais sábio cidadão e a Igreja o seu pastor fiel, a Academia um mestre incomparável. Lamentavam todos a partida do pai comum e do melhor confortador abaixo de Deus. A multidão se encaminhava à câmara funerária e dificilmente se separava daquele corpo inanimado. Entre os visitantes estava o distinto embaixador inglês na França, que havia ido a Genebra para travar conhecimento com o célebre homem e desejava ver agora os seus despojos”.
O último pedido de Calvino foi atendido. Ele pediu que o lugar de sua sepultura não fosse indicado. Um funeral simples, com poucas palavras e nenhum cântico. Sem lápide na sepultura do cemitério comum de Plainpalais. Uma pequena lápide com as simples iniciais J. C. foi erigida muito tempo depois. Seu verdadeiro epitáfio foi a sua vida!
Bungener assim comenta a singeleza da sepultura de Calvino: “Tem-se visto estrangeiros tomados de indignação, vendo esta pequena lápide, que, aliás, a contemplam com maior emoção do que se estivesses diante de um rico mausoléu....”
O historiador Guizote, falando de Calvino, assim conclui um de seus livros: “Ardente na fé, puro nos motivos, austero na vida e poderoso nas obras, Calvino é um daqueles que merecem grande fama. Três séculos nos separam dele, mas impossível é examinar seu caráter e sua história sem que se experimente, quando não seja afeto e simpatia, ao menos um profundo respeito e admiração para com um dos grandes reformadores da Europa e um dos grandes cristãos da França.”
Calvino tem sido diversamente apreciado por juízes competentes, críticos severos e adversários irreconciliáveis. O cético Renan, dissentindo muito embora dos conceitos teológicos do doutrinador de Genebra, considera-o como “o maior cristão do século em que viveu”. Foi qualificado de “Aristóteles da Reforma”, de “Tomás de Aquino da Igreja Reformada”, de “Licurgo da democracia cristã”, de “Papa de Genebra”. Como figura eclesiástica, não faltou quem o comparasse a Gregório VII e a Inocêncio III.
Quando Calvino morreu, Zwinglio, Lutero e Melanchton, grandes vultos da Reforma, já haviam cerrado os olhos. Farel viveu ainda um ano e João Knox mais oito.
Calvino morreu ainda no meio das lutas da Reforma, como se deu com Lutero e os principais reformadores. Eles não criaram uma nova religião e nunca a tal se propuseram. Apenas entenderam firmar a Igreja nos velhos princípios dos tempos apostólicos, rejeitando as inovações doutrinárias. Hoje, no Brasil e em vários países, precisamos de Calvinos, Luteros, at all, que se proponham à mesma tarefa daqueles grandes reformadores, em seus respectivos países.
No terceiro centenário da Reforma em Genebra, em 1835, cunhou-se uma medalha comemorativa, tendo num lado a imagem de Calvino com o nome e data do nascimento e da morte. No reverso, via-se o púlpito de Calvino com o texto: “Conservou-se firme como se visse o invisível” (Hb.11:27), e a inscrição latina: “Corpore fractus, Animo potens, Fide Victor, Ecclesiae reformator, Genevae pastor et tutamen”.
Neste resumo citei vários testemunhos de homens ilustres sobre a personalidade de Calvino. Quero trazer um último depoimento de um crítico neutro, Ernesto Renan, extraído de “A Reforma”, de Lindsay (p.83). Ele é insuspeito pelo fato de não ser calvinista. Diz ele:
“Era Calvino um daqueles homens absolutos que parecem ter sido vasados de um só jato num molde, e que se estudam por meio de um simples olhar. Uma carta, um gesto é bastante para se formar deles um juízo... Não dava importância a riquezas nem a títulos, nem a honras, indiferentes às pompas, modesto no viver, aparentemente humilde, tudo sacrificava ao desejo de tornar os outros iguais a si. Excetuando Inácio de Loyola, não conheço outro homem que pudesse rivalizar com ele nestes raros predicados. É surpreendente como um homem cuja vida e cujos escritos atraem tão pouco as nossas simpatias se tornasse o centro de um tão grande movimento e que suas palavras tão ásperas, sua elocução tão severa, pudessem ter uma tão espantosa influência sobre os espíritos de seus contemporâneos. Como se pode explicar, por exemplo, que uma das mulheres mais distintas de seu tempo, Renata de França, que, no seu palácio de Ferrara, se via cercada dos mais brilhantes talentos da Europa, se deixasse cativar por aquele severo doutrinador, enveredando, por sua influência, numa senda que tão espinhosa lhe deveria ter sido? Semelhantes vitórias só podem ser alcançadas por aqueles que trabalham com sincera convicção. Sem manifestar aquele ardente desejo de procurar o bem dos outros que foi o que assegurou a Lutero o bom êxito de seus trabalhos, sem possuir o encanto, a perigosa, posto que lânguida doçura de S. Francisco de Salles, Calvino saiu vitorioso, numa época e num país em que tudo anunciava uma reação contra o Cristianismo, e isso simplesmente por ser o maior cristão do seu tempo!”
Em relação a caracteres assim vasados, a Igreja não pode senão dizer com o salmista: “Non nobis, Domine, non nobis, sed nomie tuo da gloriam” (Sl.115.1).
Encerro dizendo como registrado na medalha comemorativa, que, Calvino, débil na estrutura física, vigoroso porém na organização intelectual e moral, simples no viver, austero nos costumes, indefesso no trabalho, irredutível na fé, erudito no saber, nobre nas intenções, invulgar na coragem, hábil no raciocínio – soube como poucos neste mundo, redimir prudentemente o seu tempo e empregar o talento e os dons de que fora dotado na glorificação do Criador e Redentor de sua alma. O emérito doutrinador e piedoso homem de Deus ocupará sempre um lugar de destaque entre os grandes vultos da Igreja, sem embargo dos anátemas que os adversários de todos os tempos procuram fazer descer sobre sua memória respeitável.

Referências bibliográficas

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Texto adaptado de Arleilson Albino. Disponível em: <http://arleilsonalbino.blogspot.com.br/2010/05/fui-convidade-para-falar-sobre-joao.html>. Acesso em: 27 de jul. 2015.
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Pastor presbiteriano, teólogo, professor e historiador. Mestre em Ciências da Religião (UPM/SP), e autor dos livros: O coração a Deus (síntese da espiritualidade de João Calvino), e Desenterrando os tesouros de Deus (os princípios da verdadeira oração em João Calvino).

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